domingo, 26 de julho de 2015

O diálogo das carmelitas (Le dialogue dês Carmélites, 1960)

                                              
                                Imagem: meramente ilustrativa (site Portal Mater Dei)

   Compiégne, 1789. Com a Revolução Francesa, um mosteiro de monjas carmelitas sofrerá os efeitos dos acontecimentos em suas vidas, de uma forma lenta e perturbadora. Baseado no livro de Gertrud Von Le Fort, com base na história real das mártires de Compiégne, a direção de Philippe Agostini e Raymond Leopold Bruckberger (ambos roteirizam o filme) mostra ao espectador,de uma forma suave e simples, o martírio de um grupo de carmelitas. Todas as provações que passam são mostradas de forma cuidadosa e sem exageros.
    
    O ponto central é apresentar a fé cristã no estado da vida monástica, no qual o roteiro mostra perfeitamente, a docilidade, a fé, a força e o silêncio de mulheres que entregam a sua vida ao sofrimento, sabendo que a recompensa está na vida eterna e não na terrena.  
    
    O elenco conta com Jeanne Moreau (Jules e Jim – uma mulher para dois), Alida Valli (Agonia de amor), Pierre Brasseur (Por ternura também se mata), Pascale Audret (Dois são culpados), Georges Wilson (Uma tão longa ausência), Anne Doat (O calvário de uma rainha) e Madeleine Renaud (Águas tempestuosas).
      
      Um belo filme que mostra a beleza da consciência livre e da vocação religiosa!
      
      Mais sobre a história real das mártires francesas, no texto do site Veritatis Splendor.

sábado, 9 de maio de 2015

Entre as abelhas (2015)


                                                      Imagem: divulgação (Críticos de tudo)

Dirigido por Ian SBF, o filme mostra Bruno (Fábio Porchat, Meu passado me condena), que ao se separar de Regina (Giovanna Lancellotti), se depara com o fato de não enxergar mais as pessoas ao seu redor.

 Um drama com alguns momentos de comédia sem apelação, transmite de forma delicada e ao mesmo tempo complexa, a situação de um homem, que tenta entender o que está acontecendo. Um trabalho de desconstrução da mente feito de uma forma laica, simples, mas interessante.

Porchat é um comediante famoso e entrega uma atuação sincera, convicta e madura de um homem perturbado emocionalmente. A veterana Irene Ravache (Amores possíveis) vive uma mãe protetora, carinhosa e engraçada. O elenco conta ainda com as participações de Marcos Vera (Vestido para casar), Luis Lobianco (O candidato honesto), Marcelo Valle (Madame Satã) e Letícia Lima (Porta dos fundos) .

Um trabalho simples, sincero e interessante!

domingo, 3 de maio de 2015

Noite sem fim (Run All night, 2015)

                                             Imagem: divulgação (Via Sou Brasília)   

Jimmy Conlon (Liam Neeson, Busca implacável) é um  decadente assassino da máfia irlandesa que muda radicalmente o rumo de sua vida, quando o seu filho Mike (Joel Kinnaman, Robocop) é perseguido por seu patrão Shawn (Ed Harris,  O show de Truman).


Dirigido por Jaume Collet-Serra (Sem escalas), o espectador ganha um filme de ação, com bons elementos dos gêneros policial, suspense e drama. As cenas de ação, tanto as partes de lutas e tiros como as de perseguição, são bem elaboradas, recordando os filmes dos anos 80 e 90.

A dinâmica da história não permite excessos de sentimentalismo ou de drama psicológico, mas com o desenvolvimento da trama, a relação dos personagens de Neeson e Kinanman cresce sem apelos politicamente corretos. Os protagonistas tem uma relação de parceira, onde ambos tem ótimas perfomances, sem ofuscar o outro.

A relação entre os personagens de Liam Neeson e Ed Harris é muito bem construída, ao ponto do espectador se lamentar que a relação deles seja destruída por causa de um delicado evento.  

Vincent D’Onofrio (Nascido para matar) está fantástico como um honesto e sensato policial. O ator e rapper Common (Truque de mestre) está irreconhecível como um frio e truculento assassino profissional. O elenco ainda conta com Boyd Holdbrook (Garota exemplar), Bruce McGill (Colateral), Genesis Rodriguez (O último desafio) e a participação especial do veterano (Além da linha vermelha).

Um filme com boa história, ótimas cenas de ação e excelente elenco!               

sábado, 7 de março de 2015

Kingsman – serviço secreto (Kingsman – the secret service, 2015)

Imagem: Divulgação/ Cinema e afins

   Baseado na obra de Mark Millar (Kick Ass) e dirigido por Matthew Vaughn (X-men: primeira classe), o filme mostra um Eggsy (Taron Egerton), um jovem com grande potencial metido em problemas, que tem a oportunidade de entrar no serviço secreto por meio de Galahad (Colin Firth, O discurso do rei). Além dos desafios do treinamento, ele precisará enfrentar um grande perigo na figura do milionário Valentine (Samuel L. Jackson, Django Livre).

   O filme se assemelha a Alex Rider contra o tempo (Stormbreaker, 2006), mas é muito superior quanto ao seu desenvolvimento, graças a um roteiro brilhante, que interage com os três atos da história, principalmente com o primeiro e o segundo. Existem referências a outros gêneros cinematográficos, além de sucintas críticas, mas não quero estragar a graça de se contagiar com um trabalho tão bem desenvolvido.

   Fica perceptível a excelente homenagem do filme ao gênero espionagem, com direito a boas doses de ação, humor e drama. O elenco é ótimo e extremamente afinado com as presenças de Mark Strong (O jogo da imitação), Sophie Cookson, Sofia Boutella, Mark Hamill (Star Wars, episódio VI – O retorno de Jedi), Jake Davenport (Piratas do Caribe) e o veterano Michael Caine (Interestelar).

Um ótimo e divertido filme que merece apreciação!

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Sniper americano (American Sniper, 2014)

 Imagem: Tom Stern

Dirigido por Clint Eastwood (Gran Torino), o filme mostra a história real de Chris Kyle (Bradley Cooper, o lado bom da vida), atirador da marinha americana, que serviu dez anos no Iraque.
Clint e o roteirista Jason Hall (Conexão perigosa), apresenta todos os momentos do personagem principal, desde a sua infância até a sua saída da marinha. O relacionamento entre ele e sua esposa Taya (Sienna Miller, Foxcatcher) é abordado com profundidade e emoção na medida certa, sem pretensão de melodarama.
Bradley Cooper traz uma atuação cheia de tensão,emoção e elementos psicológicos, transmitindo ao espectador como é a emoção e a tensão de quem está em risco a todo o instante.  O elenco ainda conta com Sammy Sheik (O grande herói), Keir O’Donnell(Planeta dos Macacos: o confronto), Jack McDorman (Duro de matar 4.0), Mido Hamada (Desconhecido).
O filme acerta ao mostrar como é a perspectiva de um atirador e os efeitos traumáticos de uma batalha. Clint não faz um filme político propagandista ou crítico, mas apresenta uma obra de um ser humano no front e suas consequências. 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

A teoria de tudo (The theory of everything, 2014)


Imagem: Benoít Delhomme
Fonte: Divulgação/Ccine 10

Baseado na obra de Jane Hawking e dirigido por James Marsh (O equilibrista), o filme mostra a vida do famoso físico Stephen Hawking (1942-) no período de sua juventude, com o desenvolvimento de sua doença (ELA – Esclerose lateral aniotrófica), sua teoria sobre o tempo e o seu relacionamento com sua primeira esposa Jane (Felicity Jones, Loucamente apaixonados).
Eddie Redmayne (Os miseráveis) está brilhante na pele de Stephen, nos seus trejeitos, especialmente na fase da doença. Felicity Jones encanta e emociona como Jane, com uma merecida indicação ao Oscar, além de 15 indicações para outros prêmios e conquistar duas premiações.
O roteiro de Anthony McCarten é muito bom, por ser objetivo no geral, sem se prender a dramalhão apelativo. Só peca na extensão de mostrar o lado de Jane nas dificuldades do casamento.
Além das ótimas atuações de Redmayne e Jones, o elenco conta com as excelentes participações de Emily Watson (A menina que roubava livros), Charlie Cox (Stardust: o mistério das estrelas), Simon McBurney (O último rei da Escócia), Abigail Cruttenden (Charlotte Gray – uma paixão sem fronteiras), Harry Lloyd (A dama de ferro), Maxine Peake (Run & Jump) e David Thewlis (O teorema zero).
Um ótimo filme que impulsiona o espectador a conhecer mais sobre o famoso físico e escritor.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Corações de ferro (Fury, 2014)


                                         Imagem: Divulgação (via G1)

 Alemanha, abril de 1945. Próximo do final da Segunda Guerra Mundial, o sargento Don (Brad Pitt, o curioso caso de Benjamin Button), lidera um tanque com sua equipe: Boyd (Shia LaBeouf, Transformers), Trini (Michael Peña, A trapaça), Grady (Jon Bernthal, O lobo de Wall Street) e o novato Norman (Logan Lerman, Percy Jackson e o ladrão de raios). Juntos, viverão o fim de um duro período, cheio de imprevistos.
A direção de David Ayer (Os reis da rua) é objetiva ao mostrar um grupo de soldados em combate, de uma forma clara, bem definida e sem pretensões de críticas políticas ou exagerado sentimentalismo. O roteiro, da autoria do diretor, é claro ao mostrar que guerra é guerra e necessário fazer de tudo para sobreviver.
Os personagens são bem trabalhados e desenvolvidos para o contexto. Não há tempo para ficar se recordando de passado ou filosofar sobre o que estão vivendo. Não existe em nenhum momento, a pretensão de contar a origem dos personagens e o motivo de serem daquele jeito. O fato é que indiferente de suas origens e valores, eles precisam abrir mão de tudo para cumprir a missão.
Brad Pitt está brilhante como um duro e estratégico sargento. Logan está ótimo como um jovem ingênuo que forçosamente precisa se tornar homem para não ficar para trás. Shia LaBeouf apresenta uma atuação madura e boa. Peña e Bernthal contribuem com boas atuações para vários momentos. O elenco ainda conta com Jason Isaacs (O patriota).
Trata-se de um filme equilibrado de ação, momentos divertidos e drama. Em outras palavras, uma junção de honra, sensibilidade e bravura. 

sábado, 31 de janeiro de 2015

Birdman ou (a inesperada virtude da ignorância) 2014


Imagem: Revista Veja/Abril (para ilustração)

Riggan (Michael Keaton) é ator que experimentou o sucesso ao interpretar um super herói e que anos depois, vivendo a decadência, tenta provar ao mundo e a si mesmo que é um ator competente através de uma peça teatral. Além dos imprevistos e conflitos dos bastidores, Riggan precisa lidar com sua filha Sam (Emma Stone, O espetacular Homem-Aranha), além dos seus próprios conflitos.
A direção de Alejandro González Iñarritu (Babel) é eficiente, colocando os dilemas e atos do seu protagonista de uma forma envolvente, poética e filosófica. O roteiro equilibra o drama e uma leve comédia, com enigma e sutileza. Os conflitos das cenas de bastidores lembram A noite americana de François Truffaut. O existencialismo e a minuciosa análise das origens e do sentido da vida fica presente durante o filme todo.
O elenco é ótimo. Michael é um ótimo ator, que ganhou muito sucesso como Batman na visão de Tim Burton no final dos anos 80. Fez vários tipos de trabalhos ao longo de sua carreira e neste filme, ele entrega uma interpretação sincera, profunda e experiente.  Edward Norton (O grande hotel Budapeste) está incrível como um ator arrogante que se entrega totalmente ao seu trabalho.
Emma Stone demonstra versatilidade e que é muito mais que Gwen Stacy de Spider Man. Zach Galifianakis (Se beber não case) surpreende como o agente e produtor que segura as pontas dos bastidores. As atuações Naomi Watts (O despertar de uma paixão), Amy Ryan (medo da verdade), Andrea Riseborough (Oblivion) e Lindsay Duncan (Sob o sol de Toscana) são eficientes e importantes para a trama.

Trata-se de um filme que trabalha bem as questões acerca do ser humano, com charme, existencialismo, além de ótimas atuações e direção.  

terça-feira, 29 de outubro de 2013

O despertar dos mortos (Dawn of dead, 1978)


Autor da imagem: Michael Gornick (Via Boca do Inferno)

Dirigido e roteirizado por George A. Romero ( A noite dos mortos –vivos), o filme mostram vários Zumbis que vão atacando os sobreviventes e espalhando o desespero! No meio deste apocalipse, a produtora de TV Francine (Gaylen Ross, CreepShow), o piloto Stephen (David Emge), os policiais Peter (Ken Foree, Água para elefantes)e Roger (Scott H. Reiniger, Cavaleiros de aço) farão de tudo para fugir e sobreviver a esta loucura.

Trata-se de um terror de orçamento baixo, mas muito bem feito. A maquiagem e efeitos especiais de Tom Savini (que faz um papel de motoqueiro no filme e apareceu em outros filmes pops como Django Livre entre outros), Don Berry e Gary Zeller é excelente e convincente! Os mortos comendo os vivos e arrancando suas tripas é estupendamente louco e surreal!  

O ritmo que Romero conduz é dinâmico e muito ousado para a época.  Ele não se preocupa na acidez dos diálogos e na ferocidade da atitude de alguns personagens e apresentar indiretas politicamente incorretas. Um exemplo é o Wooley (James A. Baffico, A hora do lobisomem), um policial que está tão neurótico com a situação que não pensa duas vezes antes de atirar ou falar coisas como “vamos Martinez, mostre a sua bunda porto-riquenha que vou acabar com você” e “Quero acabar com estes porto-riquenhos e crioulos”. O tiro que ele dá na cabeça de um zumbi é sensacional!

Um ponto interessante é que Romero coloca várias pessoas como figurantes Zumbis: velhos, crianças, mulheres, homens, gordos ou magros, enfim pessoas comuns.  Em algumas cenas, focam-se em determinados tipos que se tornaram zumbis como um monge hare krishna e uma freira católica.  Pensei: “Será que a ideia do diretor é mostrar que a religião aliena o ser humano ao ponto de torna-lo um morto-vivo sem liberdade?” Apenas uma hipótese.

O contexto de desespero é dramático e ao mesmo tempo cômico.   Na cena inicial dentro de um estúdio de TV, enquanto um tal de Dr. Foster (David Crawford) e um apresentador (David Early) discutem a situação que se estende por toda a nação,  os funcionários dentro do estúdio estão histéricos, vaiando o que está sendo dito no programa, discordando que se tem que matar os zumbis, mesmo com todo o apocalipse acontecendo! Nesta mesma cena, o diretor do programa está desesperado e pede que um policial o ajude. A cara que o policial faz é do tipo “foda-se, tá tudo perdido mesmo!” e vai embora logo em seguida! Muito hilário!

Romero trabalha muito bem com o caos, tanto com as pessoas desesperadas e despreparadas, como com aquelas que se viram para sobreviver. Tem uma cena muito interessante, quando os protagonistas sobrevoam em uma cidade interiorana, onde além de verem um monte de Zumbis ambulantes, eles presenciam a naturalidade e a diversão de soldados e pessoas do interior matando e queimando zumbis, acompanhados de churrasco, cafezinho, cerveja e com direito a fotos de lembrança!

Um filme muito bem feito do mestre Romero, muito acima do gênero e que mercê ser conhecido!

Site consultado: IMDB e Boca do Inferno

sábado, 21 de setembro de 2013

Elysium (2013)


Imagem: Divulgação via Abril

Dirigido por Neil Blomkamp (Distrito 9), o filme apresenta um conturbado futuro, onde a terra é um lugar miserável, cheio de pessoas pobres e doentes, enquanto Elysium, uma estação espacial, abriga pessoas da alta classe com um padrão de vida possível de resolver tudo. É neste contexto que entra Max (Matt Damon, Os infiltrados), um homem que precisa lutar contra o tempo para salvar a sua vida e de várias pessoas.

A fotografia de Trent Opaloch é perturbadora, realista e lembra muito filmes como Cidade de Deus e Tropa de Elite. Cenários muito bem trabalhados, que refletem o caos e a miséria. Os efeitos especiais são bem trabalhados, mas ficam como coadjuvantes para um roteiro dinâmico, forte, que prende!

Trata-se de uma ficção reflexiva e crítica, porque apresenta as consequências de um capitalismo desenfreado, onde o ser humano é reduzido a um produto descartável.  As cenas de ação são ótimas e realistas dentro do contexto proposto. A trilha sonora de Ryan Amon lembra muito o estilo de Hans Zimmer (Batman – O cavaleiro das trevas ressurge), logo, de ótima qualidade!

No contexto caótico e apocalíptico, o espectador perceberá algo religioso, uns traços de Cristianismo, onde uma humanidade reduzida a escravidão de "Senhores", surge o tipo de Salvador, de messias. Tal ideia ficará presente em muitos momentos do filme. 

Damon é sempre eficaz e versátil, mas aqui, querendo ou não, ele tem uns momentos que comparamos a Jason Bourne, mas é apenas um detalhe. Além de Damon, o elenco é espetacular com as presenças de Alice Braga (Ensaio sobre a cegueira), a veterana Jodie Foster (O silêncio dos inocentes),  William Fichtner (Prison Break) e Diego Luna (E sua mãe também), mas nas linhas seguintes, quero destacar Wagner Moura (Tropa de Elite) e Sharlto Copley (Distrito 9).

Moura é consagrado no nosso solo e fez uma estreia magistral como Spider. Ele faz um tipo duvidoso, meio revolucionário, meio antagonista, meio louco. Ele é genial e tem muito destaque no filme, de forma merecida. Em suma: ele chegou chegando!

Copley é o grande vilão, Kruger,  um mercenário sádico, psicopata, caótico. Ele tem uma presença de peso, como o Coringa de Heath Ledger ou o Bane de Tom Hardy na trilogia Batman! Simplesmente tem força e destaque!

Bem verdade que um futuro caótico com extrema desigualdade já foi tratado em outras obras como Zardoz (1975), Blade Runner – o caçador de androides (1982) e até O demolidor de 1993, estrelado por Sylvester Stallone e Wesley Snipes, mas Elysium tem uma força dramática, perturbadora e estonteante!

Site consultado: IMDB